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  • Foto do escritorCamila H. Kraus

O Cenário do Mercado de Carbono Internacional


No âmbito das preocupações ambientais globais, o cenário internacional de negociação de créditos de carbono emergiu como uma arena crucial para combater as mudanças climáticas. Com regiões ao redor do mundo implementando diferentes esquemas de comércio de carbono, o conceito de mercados de carbono ganhou grande destaque. Neste artigo, iremos explorar o cenário internacional de mercado de carbono e analisar como diferentes países estão moldando suas abordagens para lidar com emissões e promover a sustentabilidade.


Califórnia: Uma Líder nos Mercados de Carbono


Um dos principais protagonistas na cena internacional de mercado de carbono é a Califórnia, EUA. O mercado de carbono do estado tem recebido atenção global devido à sua abordagem inovadora para a redução de emissões. Até o início de 2022, as autoridades californianas relataram que projetos locais haviam gerado mais de 250 milhões de créditos de carbono. Em parceria com o mercado de carbono de Quebec, essas regiões colaboram comprando créditos de carbono uma da outra. Essa cooperação transfronteiriça demonstra como regiões estão se unindo para enfrentar desafios de emissões.


O EU-ETS: Gigante do Mercado de Carbono da Europa


Um exemplo pioneiro na cena internacional de mercado de carbono é o Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia (EU-ETS). Lançada em 2005, essa iniciativa regulamenta a negociação de emissões em 31 países europeus. O EU-ETS abrange mais de 10.000 instalações industriais e impõe limites de emissões às entidades participantes. Empresas que excedem esses limites podem comprar créditos de carbono de outras instalações, promovendo a redução de emissões em diversos setores.


América Latina e Caribe: Um Potencial Imensurável


O mercado de carbono na América Latina e Caribe está prestes a se tornar um dos principais fornecedores globais de créditos de carbono. No entanto, o caminho rumo à sua consolidação exige um esforço coordenado por parte dos países e instituições da região. Enquanto o mercado se organiza e cresce, os preços por tonelada de carbono permanecem voláteis e relativamente baixos. A expectativa é que esses valores evoluam para uma faixa entre USD 75 e USD 100 por tonelada até 2050, a fim de alcançar a tão almejada neutralidade de carbono.


É evidente que vários países e entidades estão adentrando ativamente esse mercado, indicando uma possível fragmentação. Uma competição saudável está se delineando não apenas entre nações, mas também entre empresas, bancos e outras instituições.


A oportunidade de desenvolver um mercado regional latino-americano surge como uma perspectiva imensa. Criar um mercado baseado em economias de escala e redução de custos pode impulsionar vantagens competitivas e abrir portas para o financiamento de projetos sustentáveis. Isso não apenas amplificaria os esforços de conservação e regeneração do capital natural, mas também alavancaria o progresso econômico e tecnológico da região.


A aprovação do artigo 6º do Acordo de Paris estabeleceu as bases para uma competição acirrada nesse mercado, que poderia atingir uma estimativa impressionante de 22 trilhões de dólares até 2050. Contudo, como em qualquer empreendimento ambicioso, há obstáculos a superar. Diversidade de interesses, mercados subregionais e recursos limitados são apenas alguns dos desafios. Ainda assim, várias iniciativas, tanto políticas quanto privadas, estão impulsionando a América Latina a se tornar líder no mercado de carbono global.


Em 2022, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) organizou discussões que destacaram as oportunidades trazidas pelos mercados de créditos de carbono na América Latina e Caribe. A Cúpula do Clima da América Latina 2022, sediada no Rio de Janeiro, reuniu especialistas regionais e globais, líderes do BID e figuras influentes dos bancos e entidades vizinhas. O evento abordou soluções concretas e desafios a serem enfrentados para transformar o potencial imenso dos mercados de carbono em impactos tangíveis para a economia e o meio ambiente.


Na busca por uma transição econômica verde, Morgan Doyle, Representante do Grupo BID no Brasil, afirmou: "O Brasil, assim como toda a América Latina, reúne as condições para ser o epicentro de uma transição econômica verde. Com os créditos de carbono, serão viabilizadas iniciativas poderosas que aliem conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico, beneficiando não só a região, mas o mundo com novas experiências de sucesso."


Além disso, o CAF, o banco de desenvolvimento da América Latina, também está desempenhando um papel crucial nesse cenário. Através da Iniciativa Latino-Americana e do Caribe para o Desenvolvimento do Mercado de Carbono (ILACC), o CAF visa se tornar o "banco verde" da região. Seu compromisso envolve financiar projetos verdes no valor de US$ 25 bilhões nos próximos cinco anos, com 40% de suas operações até 2026 dedicadas ao crescimento sustentável.


A ILACC busca fortalecer os mercados de carbono entre seus países-membros, promovendo a competitividade na oferta de créditos de carbono e reduzindo as emissões de gases do efeito estufa. Com foco em mercados voluntários e regulamentados, a iniciativa busca impactar positivamente a criação de empregos, geração de renda, tecnologias inovadoras, clusters de negócios verdes e a luta contra a pobreza. O projeto almeja uma resposta coerente e inovadora à demanda global no enfrentamento das questões relacionadas ao aquecimento global.


O mercado de carbono na América Latina e Caribe está entrando em uma fase crucial, com esforços contínuos para explorar seu potencial e promover um futuro mais sustentável e próspero para a região e além.



Colaboradores: Camila Hillesheim Kraus e Pedro Guilherme Kraus

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